ÀS AVESSAS
(já não está em cena)
50 minutos – Alunos do 1º ciclo e público em geral
O que se pode fazer com os livros?
Aprender, crescer, brincar… e virar o mundo do avesso.
De uma forma lúdica, revelamos o prazer que os livros podem proporcionar
e como nos podem ensinar a ver as coisas sob outra perspectiva.
A poesia, a forma escolhida pela personagem, guia esta viagem onde se
encontrarão a natureza, o tempo, as letras, a noite, a banda desenhada… e
tudo, dentro de uma biblioteca.
Quem fez o quê
Produção:
Andante
Textos:
António Maria Lisboa, João Pedro Mésseder, Manoel de Barros,
Eugénio de Andrade, Vinicius de Moraes, Alberto Caeiro, Manuel António
Pina, Maria Alberta Menéres, Mário Henrique Leiria, Leo Cunha, Albano
Martins, Mário Quintana, Berenice Gehlen Adams, Artur do Cruzeiro
Seixas, Fernando Pessoa, José Jorge Letria, António Simões, Luísa Ducla
Soares, Adriana Calcanhotto, Paulo Leminski, Cecília Meireles, Matilde
Rosa Araújo, Cassiano Ricardo, Isabel Pires, Antero de Quental
Selecção de textos, dramaturgia e encenação:
Cristina Paiva e Fernando Ladeira
Interpretação:
Cristina Paiva
Música original:
Joaquim Coelho
Coros:
Lia Vohlgemuth, Cristina Paiva, Joaquim Coelho
Concepção plástica:
Maria Luiz
Sonoplastia:
Fernando Ladeira
Agradecimentos:
Junta de Freguesia de Samouco
A personagem
Ela é um livro (como todas as coisas o são) e habita um livro.
Ela é uma biblioteca (como todas as pessoas o são) e habita uma biblioteca.
Desse lado do mundo, do lado da palavra escrita, observa e transforma o
que a rodeia. Exige para si a possibilidade de um outro olhar. A
possibilidade de uma outra perspectiva.
Já o dissemos antes: "Poesia é brincar com palavras". É assim, a
brincar, que ela constrói com palavras que retirou aos livros, o seu
mundo. Um mundo onde "as coisas não querem mais ser vistas por pessoas
razoáveis" onde "elas desejam ser olhadas de azul".
A tentativa de compreender, de aprender, de partilhar e de comunicar: é assim este espectáculo.
Talvez com esta personagem aprendamos a ser mais tolerantes.
Enquadramento pedagógico
"(…) nós somos feitos para a arte, somos feitos para a memória, somos feitos para a poesia ou possivelmente somos feitos para o esquecimento.(…)" Jorge Luis Borges
Dizer que a arte faz parte integrante do
homem, que ela é fundamental para a formação de cada ser humano, que a
beleza é essencial, é dizer o que toda a gente sabe e que ninguém se
atreve a contestar. Mas na prática, só conseguimos que a generalidade
dos professores se desloquem a um espectáculo de teatro com os seus
alunos se esse trabalho trouxer consigo uma "aula" encapotada. Ele tem
que ter uma utilidade qualquer para que se justifique. O simples facto
de fazer os alunos conviver com a poesia, com a literatura, com a
criação humana, não parece suficiente para os responsáveis "perderem" o
seu tempo e o dos seus educandos.
Um espectáculo não é uma aula, da mesma maneira que um pintor não pinta um quadro para ensinar alguma coisa a alguém.
Este espectáculo não tem uma utilidade visível: não ensina a ler, a
contar, a descobrir as formas ou as cores. Quisemos que ele tivesse
mesmo uma "desutilidade": o prazer de dizer o mundo com as palavras dos
poetas.
Sem a poesia qualquer pessoa sobrevive, mal mas sobrevive. Mas com ela
temos a hipótese de ser mais felizes, de aceitar melhor outros mundos,
outras linguagens, de por instantes sentir a beleza, ou seja, e
repetindo, ser felizes.
O que eles viram
Conforme combinado… (e com a colaboração da artista) aí vai o desenho "uma coisa qualquer" da Teresa (5 anos)

Comentários da artista durante a elaboração da 'obra prima':
– "da primeira vez a Cristina estava vestida de praia, desta vez estava vestida de uma coisa qualquer"
– "o que gostei mais foi da história do anel da pedra vermelha dentro da barriga do tubarão"
– "vou pô-la a falar" (e transformou o sorriso numa boca aberta)
– "o senhor que estava atrás é que fazia os barulhos… da barriga… das pedras a falar… "
Comentários da mãe "babadíssima"
– no desenho adorei os pormenores… gosto particularmente das tranças em
forma de estrelinhas, das mangas de cores diferentes, da tentativa de
cor salmão (que não havia) ora com laranja ora com rosa, das ondinhas
azuis na barra do vestido, do palco negro… especialmente porque todas
elas foram de iniciativa dela (eu estava a arrumar o quarto… ehehehe)!
– achei graça como ela se surpreendeu durante o espectáculo ao
reconhecer as poucas estrofes da "musica do éu" ('8 anos' do CD da
Adriana Calcanhoto… um "must" que desde há 2 anos viaja muitos Km
connosco!) — abriu muito os olhos e até saltou na cadeira —
– ela gostou imenso (ora ela… e eu também pois então!)… estamos agora aguardando a próxima oportunidade
MUITO OBRIGADA ANDANTE!

Depois de ver o vosso espectáculo fiz este texto com a minha mãe para levar para a escola e ofereço como prenda do bom espectáculo que nos ofereceram.
SA SARVALAP – ou – AS PALAVRAS às avessas
Era uma vez uma coisa qualquer, que é o mesmo de dizer, qualquer coisa, às avessas.
Uma coisa de nada: uma menina com saia de balão metida numa confusão de palavras e sons.
Se a menina se baixava um acordeão tocava. Quando a menina ria, a poesia aparecia.
Ela dizia a direito, respondiam-lhe às avessas. Ela dizia às avessas,
respondiam-lhe a direito. Apanhava mosquitos no ar. Falava em Português
respondiam-lhe em Chinês. Andava para a frente. Andava para traz e nada
fazia senão, dizer poesia.
Era uma vez uma coisa qualquer, que é o mesmo de dizer, qualquer coisa às avessas.
Uma coisa de nada: uma poesia às avessas, uma luta de espadas entre
gigantes, um vestido que virou biblioteca, ou barco, ou onda. Um bule de
chá que veio da China, uma tia Balbina, um leque que veio do Japão para
a Carolina. Qualquer coisa como o Luar que é o Raul às avessas.
Um texto bem às avessas foi o que a ANILORAC vos acabou de REL .
Carolina Raposo – Beja
Ler, ler, ler
Uns dias antes de irem assistir ao espectáculo, os alunos trabalham em sala de aula alguns dos poemas do ÀS AVESSAS… e apresentam-nos no final.
Temos o prazer de os ver reconhecer os poemas que trabalharam, enquanto decorre o espectáculo;
temos o prazer de os ouvir a dizê-los (como num concerto, quando o cantor canta a nossa música preferida);
temos a esperança que esses poemas se tornem seus a partir daí.

