Quem somos
A Andante é uma companhia de teatro que se dedica exclusivamente à promoção da leitura. Desenvolvemos este trabalho há 25 anos nas bibliotecas públicas e escolares, nas creches e escolas, nos teatros e feiras do livro, nas prisões, nos encontros literários e de forma continuada com as comunidades.
Uma das nossas características distintivas é construir espectáculos de teatro com textos literários não teatrais. Trabalhamos com o objectivo principal da promoção da leitura, da sedução de leitores. Pensamos que melhores leitores gerarão (em princípio) melhores cidadãos, mais responsáveis, mais críticos, mais capazes de pensar e decidir pela sua própria cabeça. E tomámos essa missão para nós. Não é que o texto dramático não pudesse servir estes propósitos mas sentimos a necessidade de ser especialmente directos. E assim, descobrimos que a poesia nos servia muito bem para revelar ao público o prazer da leitura (aí está uma utilidade da poesia, ela que tem mais inutilidades que utilidades). Porque a poesia é música, é emoção, é jogo cerebral, é imagem, é brincadeira, é jogo físico e estabelece uma rápida relação com a memória.
Este projecto tem no seu nome outra característica que nos define: ANDANTE. No dicionário, o que anda. É assim por opção nossa. Apesar de nos termos constituído perto de Lisboa (Alcochete), a capital não é o nosso palco principal. Talvez um certo espírito de "missão" e o prazer de descobrir novas realidades que pudessem enriquecer o nosso trabalho, nos tenham levado a uma opção primordialmente itinerante. Não o fazemos por circunstâncias de produção, fazemo-lo por opção.
O que fazemos
Num trabalho deste tipo, uma das grandes dificuldades que encontramos, é conseguir explicar aos outros, por palavras, aquilo que somos e o que fazemos. O nosso trabalho não se encaixa em rótulos já existentes e ainda não conseguimos inventar um para nós. No entanto aqui ficam algumas pistas:
A Andante é um projecto teatral com o objectivo de promover a leitura. Por isso trabalhamos mais em bibliotecas do que em teatros.
Os textos que usamos – poemas, principalmente – são representados e não declamados. Somos até contra a declamação.
Os actores representam personagens, num cenário, acompanhados sempre por um grande trabalho de sonoplastia. Parece teatro, não parece? E é. Aos livros retiramos as palavras, depois envolvemo-las na sua própria sonoridade e acrescentamos sons e músicas. Misturamos tudo e servimos sob a forma de espectáculo teatral.
Estamos sediados em Alcochete mas passamos a maior parte do tempo a percorrer o país. Então onde é que nos podem encontrar? Em bibliotecas, em escolas, em creches, em jardins de infância, em prisões e às vezes, em teatros, um dia no norte do país, noutro no Algarve, ou nos Açores, depende.
Levamos o nosso trabalho muito a sério, mas divertimo-nos muito.
Os livros e o processo
Sentimos muitas vezes que somos ladrões: assaltamos um texto à procura do que mais nos convém; retiramo-lo do seu contexto inicial e damos-lhe um sentido que possivelmente o seu autor nunca supôs ou quis; criamos com estes versos ou excertos de textos de outrem a nossa própria poesia. Mas sempre com a intenção de os devolver. Temos sempre a esperança que alguém no final dos nossos espectáculos queira saber quem escreveu aquelas palavras e em que livro as pode encontrar. Roubamos para partilhar. Talvez aos olhos dos autores isso nunca nos indulte mas esperamos sempre seduzir mais leitores para os livros que nos seduziram, para os poemas que nos cativaram.



