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Nós, que lemos e que pretendemos propagar o amor ao livro,
preferimos frequentemente ser comentadores, interpretes, analistas,
críticos, biógrafos, exegetas das obras que
emudecem
devido ao piedoso testemunho que damos da sua grandeza. Aprisionada na
fortaleza da nossa competência, a palavra dos livros
é
substituída pela nossa palavra. Mais do que deixar a
inteligência do texto falar por nosso intermédio,
remetemo-nos à nossa própria
inteligência, e
falamos do texto. Não somos emissários do livro,
mas os
guardiões arregimentados de um Templo de que elogiamos as
maravilhas com palavras que fecham portas: “É
preciso ler!
É preciso ler!” (...)
Daniel Pennac
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