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Textos
de Al
Berto, Almeida Garrett, António Botto, António Lobo
Antunes, António Nobre, Bernardim Ribeiro, Camilo Castelo
Branco, Eça de Queiroz, Fernando Pessoa, Fernão Mendes
Pinto, Florbela Espanca, Garcia de Resende, Guerra Junqueiro,
João Roiz de Castelo Branco, José Carlos Ary dos Santos,
José Luís Peixoto, Luís de Camões, Maria
Velho da Costa, Mário de Sá-Carneiro, Ruy Belo,
Sebastião da Gama, Sophia de Mello Breyner Andresen,
Sóror Mariana Alcoforado
Dramaturgia
e Encenação: Luís Assis
Pesquisa e Selecção de textos -
Luís Assis e Cristina Paiva
Interpretação: Cristina Paiva e João Brás
Concepção Plástica: Maria Luiz
Sonoplastia: Fernando
Ladeira
Design Gráfico - Paula
Mourão
Fotografia - Fernando Ladeira
Músicas
de
Múm, Pascal Comelade, Hopkinson Smith, Saafi Brothers,
Propellerheads, Goldfrap, Boo.Reka, Mino, The Righteous Men,
Björk, Visit Venus, Portishead, Gustav Holst, Sigur Rós,
Rodrigo Pinheiro, Nelly Furtado
Apoios: C.M. Alcochete, Juntas
de Freguesia de Alcochete, Samouco e S.
Francisco, Restaurante Solar do Peixe em Alcochete
Agradecimentos: Fundação João
Gonçalves Junior, Tágides.net, Rádio Eco FM - 104.8 Mhz,
Associação Gil Teatro
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Estreia - 25 de Setembro de 2004
Casa do
Povo de Alcochete

Quando
olhamos para as obras emblemáticas da literatura mundial,
não é difícil encontrar heróis ou exemplos
de coragem e tenacidade que alimentam o imaginário dos seus
autores e leitores.
Na
literatura portuguesa, no entanto, é um pouco mais
difícil iniciar uma busca assim. Somos uma literatura parca em
heróis. Sempre preferimos a lamúria das personagens
malditas ou amaldiçoadas pelo fado do que a
exortação dos que conquistaram com
determinação o destino pelas suas próprias
mãos.
E
talvez seja significativo que, de todos os reis que Portugal conheceu,
tenham sido exactamente os "malfadados" os que mais estimularam o
imaginário português: D. Pedro (e sua Inês de
Castro) e D. Sebastião.
Este último, jovem monarca morto na batalha de Alcácer
Quibir, deu mesmo lugar a um mito sebastianista cuja simbologia
é ainda hoje frequentemente evocada para ilustrar o temperamento
português ou explicar os seus comportamentos mais típicos.
Provavelmente
está-nos no sangue: sempre gostámos mais de carpir as
mágoas e de nos dilacerarmos nos braços
inevitáveis do destino do que propriamente proclamar o
êxito sobre as adversidades e a tenacidade para vencer
obstáculos.
"Eu
não sou assim, escreveram-me assim…" propõe um
olhar sobre algumas personagens recorrentes da literatura portuguesa,
mas sobretudo sobre uma tendência da nossa escrita de todos os
tempos: aquilo que poderíamos denominar, com um piscar de olho,
o culto do "desgraçadinho".
É
infindável a galeria de personagens malditas,
amaldiçoadas, presas pelo destino, fadadas para a infelicidade
(ou só mesmo para os mais diversos percalços),
personagens vítimas de incestos tão involuntários
como inevitáveis, amorosos destinados à morte desde o
primeiro momento em que os seus olhos se cruzam, e mesmo quando
são testemunhas de grandes feitos, essa grandiosidade serve
muitas vezes para pôr em contraste a miséria do seu
próprio destino individual.
Por
muito que nos custe, é esta a herança que a literatura
nos tem legado e foi sobre esse legado que nos apeteceu fazer um
espectáculo. Mas não sem o questionar, não sem lhe
permitir uma defesa em causa própria.
Apeteceu-nos
sobretudo imaginar o que diriam as personagens (que os próprios
autores tradicionalmente dizem fugir-lhes ao controle e ganhar vida
própria) se lhes pudesse ser dado a escolher.
Serão as personagens mesmo assim: malditas, infelizes,
amaldiçoadas e presas ao destino? Ou, pura e simplesmente,
escreveram-nas assim?
Luís Assis
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