Às avessas – Enquadramento pedagógico

“(…) nós somos feitos para a arte, somos feitos para a memória, somos feitos para a poesia ou possivelmente somos feitos para o esquecimento.(…)” Jorge Luis Borges

Dizer que a arte faz parte integrante do homem, que ela é fundamental para a formação de cada ser humano, que a beleza é essencial, é dizer o que toda a gente sabe e que ninguém se atreve a contestar. Mas na prática, só conseguimos que a generalidade dos professores se desloquem a um espectáculo de teatro com os seus alunos se esse trabalho trouxer consigo uma “aula” encapotada. Ele tem que ter uma utilidade qualquer para que se justifique. O simples facto de fazer os alunos conviver com a poesia, com a literatura, com a criação humana, não parece suficiente para os responsáveis “perderem” o seu tempo e o dos seus educandos.
Um espectáculo não é uma aula, da mesma maneira que um pintor não pinta um quadro para ensinar alguma coisa a alguém.
Este espectáculo não tem uma utilidade visível: não ensina a ler, a contar, a descobrir as formas ou as cores. Quisemos que ele tivesse mesmo uma “desutilidade”: o prazer de dizer o mundo com as palavras dos poetas.
Sem a poesia qualquer pessoa sobrevive, mal mas sobrevive. Mas com ela temos a hipótese de ser mais felizes, de aceitar melhor outros mundos, outras linguagens, de por instantes sentir a beleza, ou seja, e repetindo, ser felizes.