Textos
de Pedro
Oom; Luís Vaz de Camões; Sebastião da Gama;
Eça de Queiroz; Cecília Meireles; António Botto;
Mário Cesariny; Irene Lisboa; Eugénio de Andrade; Jorge
de Sena; José Gomes Ferreira; Vinícius de Moraes; Manuel
Alegre; Sophia M. B. Andresen; João Roiz de Castel Branco;
Almeida Garrett; Vitorino Nemésio; António Gedeão;
Ruy Belo; Agostinho Neto; José Craveirinha; Mia Couto
Agradecimentos:
Mariana Antónia, Mariana Bárbara, Ana Bárbara, Maria Francisca, José
Fortes, Carlos Pequito, Joaquina Caeiro,
Instituto Português da Juventude - Delegação de Portalegre, Teatro de
Portalegre, Teatro da S. Lourenço, Junta de Freguesia de Alcochete
Descrição do projecto:
Partindo
de textos exclusivamente de autores de língua portuguesa, propomo-nos
com este espectáculo dar uma leitura diferente a esses textos.
Mostrá-los na sua forma, no seu conteúdo, na sua sonoridade. Evidenciar
a língua portuguesa como língua viva:
como os autores contemporâneos foram buscar as suas referências formais
e de conteúdo a autores mais antigos e como partindo dessas referências
a língua se desenvolveu e continua em transformação. Tentamos mostrar
como a reinvenção da língua é um acontecimento quotidiano, não só em
Portugal, mas também em outros países onde se fala o português.
Todo
este trabalho tem como ponto de partida, a sonoridade. Usamos desde os
vários registos vocais da actriz, à
manipulação desses mesmos registos recorrendo a novas
tecnologias. Usamos também vozes gravadas e ambientes sonoros
diversos (musicais ou outros). Um computador, uma mesa de mistura, um
processador de efeitos e um microfone são os meios usados para
conseguir esse objectivo.
Tentamos
que esta "linguagem" sonora traga alguma surpresa à leitura dos textos.
Os ambientes sonoros têm sempre como base a sonoridade das palavras e
da voz. Se a voz é utilizada normalmente para falar, para cantar, ou
mesmo como um instrumento, aqui tentamos que ela sirva como um ambiente.
Inscrever
a poesia na cena, escrever a poesia em cena, tomar emprestadas as
palavras dos outros e torná-las nossas. Uma folha de papel e as emoções
sugeridas por cada texto, um instrumento de escrita e as memórias da
escola, do amor, da confusão dos sentidos, do crescimento: talvez isso
baste para aproximar aqueles versos e linhas da nossa própria vida. As
palavras ajudam. E agarramo-nos a elas como tábuas de salvação,
caminhos, saídas. A poesia anda nas pessoas, nos instantes que vão
vivendo. A cena tentou reflectir isso; o percurso possível e aleatório
no domínio da palavra. Aleatório porque ao sabor das preferências, dos
gostos, da possibilidade de "se dizer de si". Não poderia ser um
espectáculo que visasse a totalidade da biblioteca: essa tarefa
infinita é a que se vai construindo na certeza do seu fracasso. Não
poderia também ter a ilusão da antologia: escolher com objectivos
classificatórios é sempre repetir a fórmula escolar que levada ao seu
extremo é responsável pela recusa da leitura. A sedução pelo poema:
ficámo-nos por aqui. Já não é pouco. E ao sabor das tais preferências
foram surgindo os escritores brasileiros, portugueses, africanos da
nossa eleição. Vestindo e despindo as palavras à volta da nossa língua.
Carlos
do Rosário
Andámos
à volta da língua. Qual língua? A nossa. À volta dos sons, dos
sentidos, dos ambientes, das brincadeiras. Experimentámos com a língua
( e com o resto) o que se podia fazer com a nossa língua.
Experimentámos os seus prazeres: os sabores, os sons, as memórias, o
novo e o antigo. Aquilo que só os olhos e o coração conheciam,
trouxémos para a boca, para que o sabor da pele, dos amores, das
descobertas, das desilusões dos outros (os escritores) desfilassem
perante vós como uma banda em dia de festa. E dia de festa é aquele em
que se descobre que "Amor é um fogo que arde sem se ver"; que é
"terrível ser"; que "tudo era possível"; que as palavras "são todas
irmãs" e que uma lua se "cintilhaçou em mil estrelinhações". Triste foi
não caberem todos os poemas de que gostávamos, no espectáculo. Triste
foi dizer: temos de excluir este. Do que eu tenho mesmo pena é que num
espectáculo não caiba o mundo.
Cristina
Paiva
"Ao
fazer gramática brincando com a linguagem, surge o termo conhecimento,
da língua portuguesa. É nesta simples complexidade que assenta o ensino
da língua materna, nossa poesia do quotidiano."
Maria de Fátima Pinto Leite
Professora de Português
"Magnífico!
Tem deslumbramento para os olhos e para o coração"
Helena Hilário
Professora de Matemática
"Um
tempo e um espaço verdadeiramente assumidos.
Espectacular!"
Francisco Hilário
Professor de História
"Faz
sorrir, rir e chorar
recordar e saudades ter.
'À Volta da Língua' vamos ver,
pr'á leitura motivar."
Margarida Teles
Professora de Francês
"Através
das palavras, gestos, sons e silêncio, mostra-se o sentido de ser; ser
criança, ser amante, ser qualquer coisa, mas ser. Sente-se como se o
céu se abrisse para nos contar um segredo. Sente-se… é afinal por isso
que somos alguma coisa, porque sentimos, mas há momentos em que somos
mais, porque sentimos mais intensamente e então o mundo torna-se claro,
lógico e mágico. A magia faz-nos sentir e sentir faz-nos ser."
Carolina
Curvelo
Aluna do 11º ano, 16 anos
"Poesia.
O que é a poesia?
Uma linguagem da alma.
Uma
busca do interior
Um grito de dor
A voz do não falador.
O
divagar da razão
O dar a conhecer
Uma emoção.
A
verdade do que somos
E escondemos
Dum mundo que nos consome."
Maria
Aluna 2º ciclo recorrente, 4? anos
"Recentemente
assisti a um espectáculo de grande qualidade na Universidade de
Nottinghan. Trata-se de uma montagem de textos de autores de língua
portuguesa postos em cena com grande eficácia, algum didactismo, e
beleza. Uma actriz, um encenador, um sonoplasta realizaram um trabalho
admirável para comemorar o ano da Língua.
Professor
Doutor João Camilo dos Santos,
Conselheiro Cultural da Embaixada de Portugal em Londres
"…
a grande Aventura é o vosso espectáculo!!! Acho que vivemos todos
momentos mágicos e não podem imaginar como vos estou agradecida. Hoje
tive o feed-back dos alunos de Iniciação que, embora não percebessem o
texto, sentiram-se levados para o CLUBE DOS POETAS VIVOS através da
vossa actuação."
Dra
Joana Sena de Vasconcelos
Leitora de Português na Universidade de Nottingham