Às escuras, o amor (continuação)
   


Textos : Vários 

Encenação: Rui Paulo

Pesquisa: Cristina Paiva e Fernando Ladeira

Interpretação: Cristina Paiva

DJing: DJ grandE

Sonoplastia: Fernando Ladeira

Concepção Plástica: Maria Luiz

Fotografia: Carla d´ Almeida Lopes e  Vitor MM Costa

Produção: Andante Associação Artística

Apoio: Câmara Municipal de Alcochete



ÀS ESCURAS, O AMOR – Como surgiu?

Na sequência de seis anos de trabalho, onde o teatro é usado como veículo primordial na promoção da leitura, a Andante propõe-se realizar mais um espectáculo: ÀS ESCURAS, O AMOR (que é também o título de um poema de David Mourão Ferreira). Parece-nos que este título define bem aquilo de que queremos falar: o amor como “salto no escuro”, no desconhecido, a porta que tememos e que não deixamos de abrir ainda que não saibamos o que nos espera.

Foi a partir da obra Fragmentos de um Discurso Amoroso de Roland Barthes, da sua estrutura, da sua abordagem, que surgiu a ideia para este novo trabalho. Apesar de não ser um texto dramático, Roland Barthes, propõe uma forma dramática para apresentar a sua “enunciação” (é ele que o defende, enunciação e não análise) do discurso amoroso. O livro inicia com esta frase: “é pois um apaixonado que fala e diz:”, e, até ao final, vemos de facto surgir em palavras, numa estrutura narrativa quase cénica, aquilo que todos já vivemos –  “O acanhamento”, “Fazer uma cena”, “O elogio das lágrimas”, ou, “Isto não pode continuar”, por exemplo. Foi com prazer, também, que o vemos utilizar excertos de obras literárias para apresentar as suas opiniões.

É, portanto, deste livro, que partimos para a construção de um espectáculo onde o Amor e as suas várias faces e etapas sejam, não analisadas em termos históricos, sociológicos, ou outros, mas comentadas, vividas. De uma forma lúdica pretendemos falar do caso mais sério do mundo: a nossa paixão, a nossa entrega, o nosso Amor.


ÀS ESCURAS, O AMOR –  O que queremos fazer?

O Amor, tema universal por excelência, é durante a adolescência, descoberto, experimentado, imaginado e efabulado de uma forma tão especial, como talvez nunca mais na nossa vida. A primeira paixão, o primeiro beijo, a primeira carta, o primeiro poema de amor, marcam de forma permanente a nossa relação com o mundo e com os outros.

Se bem nos lembramos, na nossa adolescência, era nisto que pensávamos a maior parte do tempo e embora, não de forma consciente, a elaboração desse “discurso amoroso” ocupava-nos bastante. Pensamos que ainda é assim também, para os adolescentes de agora.

Este espectáculo, dirigido especialmente a um público adolescente, vai tentar algumas formas de sedução. Seduzi-los para os universos teatral e da literatura, vai ser a nossa missão:

- revelar que todos amamos, de uma maneira ou de outra (se bem que o nosso Amor, será sempre especial);

- que os escritores, deixaram impresso para nosso deleite e saber, a marca desse sentimento em textos belos, trágicos ou cómicos;

- que o teatro é uma forma de usufruir desse prazer;

- mostrar-lhes que ler ou ir ao teatro, não é necessariamente um “pesadelo” do qual nos devemos desembaraçar.

Optámos por escolher maioritariamente os autores portugueses não só porque o número de obras é vasto e de qualidade reconhecida, mas porque nos parece importante dar a conhecer a esta faixa etária, outras “faces” dos autores obrigatórios dos programas escolares e também incentivar a leitura de obras escritas em português, descontextualizando-as do universo académico, inserindo-as onde elas nos fazem mais sentido: no prazer do encontro do leitor com o universo do escritor.
 
 
ÀS ESCURAS, O AMOR –  O que diz o público
 
 

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