| Às
escuras, o amor (continuação)
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ÀS
ESCURAS, O AMOR – Como surgiu?
Na sequência de seis anos de trabalho, onde o teatro
é
usado como veículo primordial na
promoção da
leitura, a Andante propõe-se realizar mais um
espectáculo: ÀS ESCURAS, O AMOR (que é
também o título de um poema de David
Mourão
Ferreira). Parece-nos que este título define bem aquilo de
que
queremos falar: o amor como “salto no escuro”, no
desconhecido, a porta que tememos e que não deixamos de
abrir
ainda que não saibamos o que nos espera.
Foi a partir da obra Fragmentos de um Discurso Amoroso de Roland
Barthes, da sua estrutura, da sua abordagem, que surgiu a ideia para
este novo trabalho. Apesar de não ser um texto
dramático,
Roland Barthes, propõe uma forma dramática para
apresentar a sua “enunciação”
(é ele
que o defende, enunciação e não
análise) do
discurso amoroso. O livro inicia com esta frase:
“é pois
um apaixonado que fala e diz:”, e, até ao final,
vemos de
facto surgir em palavras, numa estrutura narrativa quase
cénica,
aquilo que todos já vivemos –
“O
acanhamento”, “Fazer uma cena”,
“O elogio das
lágrimas”, ou, “Isto não pode
continuar”, por exemplo. Foi com prazer, também,
que o
vemos utilizar excertos de obras literárias para apresentar
as
suas opiniões.
É, portanto, deste livro, que partimos para a
construção de um espectáculo onde o
Amor e as suas
várias faces e etapas sejam, não analisadas em
termos
históricos, sociológicos, ou outros, mas
comentadas,
vividas. De uma forma lúdica pretendemos falar do caso mais
sério do mundo: a nossa paixão, a nossa entrega,
o nosso
Amor.
ÀS
ESCURAS, O AMOR – O que queremos fazer?
O Amor, tema universal por excelência, é durante a
adolescência, descoberto, experimentado, imaginado e
efabulado de
uma forma tão especial, como talvez nunca mais na nossa
vida. A
primeira paixão, o primeiro beijo, a primeira carta, o
primeiro
poema de amor, marcam de forma permanente a nossa
relação
com o mundo e com os outros.
Se bem nos lembramos, na nossa adolescência, era nisto que
pensávamos a maior parte do tempo e embora, não
de forma
consciente, a elaboração desse
“discurso
amoroso” ocupava-nos bastante. Pensamos que ainda
é assim
também, para os adolescentes de agora.
Este espectáculo, dirigido especialmente a um
público
adolescente, vai tentar algumas formas de
sedução.
Seduzi-los para os universos teatral e da literatura, vai ser a nossa
missão:
- revelar que todos amamos, de uma maneira ou de outra (se bem que o
nosso Amor, será sempre especial);
- que os escritores, deixaram impresso para nosso deleite e saber, a
marca desse sentimento em textos belos, trágicos ou
cómicos;
- que o teatro é uma forma de usufruir desse prazer;
- mostrar-lhes que ler ou ir ao teatro, não é
necessariamente um “pesadelo” do qual nos devemos
desembaraçar.
Optámos por escolher maioritariamente os autores portugueses
não só porque o número de obras
é vasto e
de qualidade reconhecida, mas porque nos parece importante dar a
conhecer a esta faixa etária, outras
“faces” dos
autores obrigatórios dos programas escolares e
também
incentivar a leitura de obras escritas em português,
descontextualizando-as do universo académico, inserindo-as
onde
elas nos fazem mais sentido: no prazer do encontro do leitor com o
universo do escritor.
ÀS ESCURAS, O AMOR
– O que diz o público
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