As coisas melhores… – Sinopse

Um espectáculo construído a partir de poesia para crianças com as características que propomos não pode ter uma sinopse de intriga dramática nos moldes de um espectáculo convencional. “AS COISAS MELHORES SÃO FEITAS NO AR” constitui-se como uma articulação de textos poéticos em que ressalta a dimensão impressionista. Para cada poema encontra-se uma expressão cénica assente no jogo, no lúdico, nas sonoridades, nas potencialidades de comunicação.
As duas personagens/actuantes vão “viajar” entre os poemas e objectos que remetem para a leitura e a escrita. Descobrirão a partir dos textos as dimensões, o ar, o chão, as emoções, o choro, o riso, a curiosidade, a descoberta, cada poema enviando para um outro texto ou situação novos. Importa também salientar a dimensão da descoberta do português enquanto língua falada em vários continentes; daí a escolha de textos dos vários espaços da lusofonia que é bem sublinhada na construção cénica.
Mas como todo o teatro para um público infantil, este espectáculo acentua o carácter transitório e efémero das emoções, dos momentos e vivências, do imaginário das crianças. As próprias potencialidades da língua portuguesa são evidenciadas num processo de descoberta contínuo, com avanços e retrocessos, salientando o próprio caminho no campo línguistico e da imaginação.
O poema de Manuel António Pina que intitula o espectáculo é ilustrativo desse processo. Aprende-se que as melhores coisas são feitas no ar a partir da enunciação de actividades realizadas que não conseguíamos imaginar antes. E por isso as personagens as enunciam, descobrindo-as simultaneamente. Os poemas de Cecília Meireles abordam as mesmas questões de lógica (“Ou isto ou aquilo”, por exemplo), em que a criança se vê confrontada com opções que se excluem completamente e vive o conflito de tomar partido. Trata-se portanto de uma dramaturgia não convencional, aquela que defendemos, assente no extremo de intertextualidade e nas possibilidades cénicas, pictóricas, sonoras, musicais e físicas da inscrição de poemas num espaço cénico.