Andante (des) Concertante

ANDANTE(des)CONCERTANTE
Concerto de poesia para crianças

60 minutos – alunos do 1º ciclo

Vamos às escolas

 

 

E se uma ida ao teatro nos transformasse em músicos de uma orquestra?
E se essa orquestra se transformasse numa floresta?
E se essa floresta nos fizesse amar as árvores?
E se as árvores desatassem a falar?
E se a fala das árvores nos mostrasse como as palavras dançam?

E se uma ida ao teatro fosse pura poesia?

Andante(des)Concertante
Um concerto feito de poesia, música, magia, heróis, pings e bongs, bailados de mãos e… silêncio.

A maestrina conduz uma floresta, e há uma orquestra, que dividida por naipes e com muita poesia, vai ensaiando com brincadeiras, coreografias, músicas, sons de vento e de pássaros e até de palavras proibidas.

No final, floresta e orquestra farão a sua apresentação… e haverá uma surpresa.

Fotos

Vídeo

Quem faz o quê

Dramaturgia e encenação: Cristina Paiva e Fernando Ladeira

Textos de: Álvaro Magalhães, André Neves, David Chericián, João Pedro Mésseder, Miguel de Cervantes, Millôr Fernandes, Spike Milligan, Thomas Bakk

Interpretação: Cristina Paiva

Música: Joaquim Coelho

Figurino: Lucília Telmo

Cenografia e sonoplastia: Fernando Ladeira

Agradecimentos: Sofia Maul, Laurence Vohlgemuth, Fundação João Gonçalves Junior de Alcochete, Escola Superior de Educação de Lisboa

Processo


Quando nos propomos fazer um novo espectáculo dirigido a crianças, costumamos ficar durante muito tempo, às vezes mais de um ano, a pensá-lo, a prepará-lo, a fazê-lo.
Levamos os nossos dias cheios de dúvidas, as questões surgem-nos a toda a hora e se por acaso não aparecem, estranhamos e inventamos umas dúvidas só para exercitar. É esgotante mas aprendemos muito. É um processo demorado mas frutuoso e é dos poucos luxos a que nos permitimos.
Desta vez quisemos fazer um novo trabalho dirigido às crianças do 1º ciclo.

Resolvemos baralhar todas as premissas com que já tínhamos trabalhado antes. O que era imprescindível era que fosse um espectáculo de promoção da leitura e a poesia, a nossa base de trabalho. A partir daí, queríamos mudar tudo:

– quisemos que não fosse um espectáculo convencional, com o público na plateia e nós em cima do palco;
– quisemos que os textos fossem poucos e de um autor fulcral na poesia para a infância, mesmo que houvesse mais alguns poemas de outros autores;
– depois de construir um espectáculo para adultos centrado na imagem,  quisemos construir um baseado no som e na musicalidade das palavras;
– quisemos que as crianças dançassem e descobrissem a poesia nos seus movimentos;
– quisemos que aprendêssemos todos um poema em língua gestual portuguesa;
– quisemos que a nossa paixão pelas árvores contagiasse as crianças;
– quisemos trabalhar o silêncio com eles;
– quisemos que os meninos não esquecessem os poemas depois de saírem do espectáculo.

É difícil elencar tudo aquilo que nos foi passando pela cabeça, as dúvidas que se foram levantando, o modo como fomos resolvendo e que fez o processo deste Andante(des)Concertante. É mais fácil descrever onde chegámos.

Aquilo a que vão poder assistir é um concerto onde os músicos são as crianças dirigidos pela maestrina que está em cena.
Os poemas que constituem o corpo principal do espectáculo são de João Pedro Mésseder, um dos nossos autores preferidos. Mas, Álvaro Magalhães, André Neves, David Chericián, Miguel de Cervantes, Spike Milligan e Thomas Bakk também lá estão. Este último autor, conhecido pelo seu trabalho na literatura de cordel, escreveu especialmente para este espectáculo.
A música é de Joaquim Coelho, o músico “oficial” da Andante, que para além da composição, nos ensinou como se dirige, quais os melhores ritmos, como produzir alguns sons, etc. Ele compôs, ele tocou, ele inventou instrumentos quando os existentes não o satisfaziam, ele pôs água na nossa floresta, ele inventou uma orquestra para acompanhar os músicos crianças ao vivo. Ele é um dos pilares deste espectáculo.
O cenário, uma árvore de palavras que se vai construindo ao longo do espectáculo, foi ideia do cenógrafo de serviço neste trabalho: Fernando Ladeira. Minimalista em tudo, Fernando Ladeira construiu uma estante que serve para ler música e texto, que numa batalha se transforma num escudo onde a batuta se transformou por sua vez em lança, mais tarde a base dessa estante será o tronco de uma árvore que terá ramos e folhas onde se poderá ler. Enfim, a desconstrução dos objectos levada ao limite. Esta estrutura cénica leve e portátil era um dos nossos objectivos neste trabalho: torná-lo o mais “andante” possível.
A Lucília Telmo encarregou-se de vestir a Maestrina. Pedimos-lhe que criasse uma imagem de um maestro e ao mesmo tempo de um ser fantástico da floresta. Tudo isso no feminino. E o resultado foi o de uma maestrina verde, esvoaçante, cheia de folhas e raízes que conduz uma floresta, perdão, uma orquestra de crianças.

O silêncio.
Encontrámos um poema do poeta brasileiro Millôr Fernandes que tem este título: “Poema para grande orquestra parada. Um silêncio bem alto.” Não usámos o poema mas usámos e abusámos do título para brincar com os meninos ao silêncio. Não achamos que as crianças são barulhentas demais, não achamos que devem ser mantidas em silêncio mas pensamos que a sociedade de tipo “histérico” em que vamos vivendo, cheia de stress e ansiedades por resolver deixam as nossas crianças aflitas e sem conseguir parar. Quisemos oferecer-lhes uma ferramenta para eles se poderem parar a eles próprios. Quisemos oferecer-lhes o silêncio.

E como não queremos que a experiência do espectáculo se desvaneça mal acabe a função, fazemos uma gravação que os meninos levam para a escola onde se podem ver a “tocar” a poesia de João Pedro Mésseder, a cantar a música de Joaquim Coelho, a dançar o poema com os movimentos da língua gestual portuguesa que a Sofia Maúl nos ensinou e… a baterem um recorde de silêncio.

Antes

Depois

Eu já vi e posso garantir que é …. “Fabulástico”!
Maria Delfina Dias Alves , (FB 2017.01.10)

Brutal. O épico cruzou-se com o lírico. A Andante Associação Artística fez um recital de amor sob a forma de cultura pedagógica. Que poesia, que brincadeira, que inocência, que leveza e que rigor na relação entre a ética e a estética. Uma autêntica referência para aqueles que precisam de exemplos de como fazer bem as coisas. Sem naftalina, salamaleques, peneiras. Cheio de frescura e delicadeza e coragem e ternura e vulnerabilidade. É isto a cidadania, trabalhos que nos engrandecem porque alimentam a nossa capacidade de nos tornarmos melhores, mais encontrados connosco, mais disponíveis para o encontro com o outro.
Paulo Condessa, (FB 2017.01.11)

A estreia de «Andante (Des)concertante» teve lugar, a 10 de Janeiro, no auditório, repleto (adultos e miudagem – duas centenas?) da Escola Superior de Educação de Lisboa, em Benfica. Um sucesso. (…) bela e divertida reflexão/variação teatral em torno das palavras, dos seus segredos e da suas virtualidades, partindo de uma ideia/amálgama – a de orquestra e a de floresta – num trabalho que acaba por ser também um tributo à árvore e à música e que, do princípio ao fim, envolve o próprio público, fixando-lhe a atenção. A partir de textos de vários autores, incluindo Cervantes e Millôr Fernandes. Interpretação: Cristina Paiva; música: Joaquim Coelho; figurino: Lucília Telmo; cenografia e sonoplastia: Fernando Ladeira. Cinco estrelas.

José António Gomes, (Abril Abril, 2017.02.03)

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